O QUE SÓ AS “MÃESPÃES” SENTEM EM RELAÇÃO À “AJUDA” DO PAI DE SEU FILHO

O QUE SÓ AS “MÃESPÃES” SENTEM EM RELAÇÃO À “AJUDA” DO PAI DE SEU FILHO

Mães que criam seus filhos sozinhas preocupam-se com o presente e com o futuro dos filhos, e com a relação deles com o pai. Elas sofrem com os abandonos: físico, emocional e material da criança. E com os conflitos internos que experimenta, por não querer que o filho sofra, e por ter medo de que ele venha a sofrer mais.

A Perda da Confiança

Quando o filho nasce (ou mesmo que esteja maior) e o casal não está mais junto, é comum (a não ser em situações de violência) que a mãe tente, até por muito tempo, aproximar o pai da criança, abrir espaço para a sua presença, convivência e participação. Muitas até brigam com o ex-companheiro na esperança de que o faça enxergar que estar presente não é ajudar, é ser pai.

E mesmo assim, muitos pais afastam-se por que não querem ser pais, por não saberem como lidar com o rompimento, por serem “forçados” pela atual companheira, por não quererem “problemas”, trabalho ou despesas. Há outros motivos, também, claro, mas considero esse rol, exemplificativo. Ea mãe sente angústia por ver que o filho não terá um lugar no afeto do pai, e que o pai perderá o potencial amor do filho.

O Amor não Nasce Sozinho

Amor não nasce pronto, é cultivado. O tempo passa e a colheita não vem, pois não houve semeadura. E os filhos crescem sem a memória do pai, sem nem uma lembrança de um colo, ou de um abraço. E isso não tem solução, não dá pra voltar no tempo para consertar tudo. Nessa situação, a mãe pãe não consegue resolver o problema, ela será capaz apenas de administrar o seu sentir, e de tentar ajudar o filho a compreender sua história, explicando-lhe que não tem culpa, e que apesar do abandono, ela é muito amada por aqueles que estão presentes.

Os esforços para tentar manter ou aproximar o pai da criança começam a diminuir com o tempo. Ela não mais envia fotos e para de contar o que a filha ou filho falou, quando andou, quando caiu … pela primeira vez. E começa a pensar que se não é por amor que acontece a presença, então que não seja por nenhum outro motivo. Ela para de lutar, e é comum, inclusive, que mães pães abram mão dos direitos da criança, de qualquer ajuda. A esperança de uma relação saudável, construída entre pai e filhos, se vai. E surge um novo sentimento na mãe pãe: a falta de confiança no pai.

Algumas Consequências

A partir desse momento, a mãe começa a sofrer pelo medo de o pai, se aparecer, não cuidar, não olhar, não proteger. Surgem receios sustentados pela história e pelo fato da ausência, que endossam as suas dúvidas, e também, as fantasias do filho (sobre os motivos do abandono), que culminam em certo sentimento de falta de “necessidade” do pai, por sentir medo de ser novamente abandonado, de dar de cara com uma realidade doída (dos motivos pelos quais foi abandonado); receio de se descobrir não amado, não reconhecido. A mãe, nessa situação, sofre mais um “tiquim”, agora, com a indiferença da criança pelo pai, com o esfriamento de uma relação que de verdade, nunca existiu. E tem que, a partir de então, lidar com as escolhas da criança, ou do já adolescente, de não querer estar com o pai. e com outras consequências, como as expressões de agressividade do filho, e seus sentimentos de menos valia, por uma autoestima abalada pelo abandono. Além, de ter que conviver com sua própria limitação, já que se culpa por não ter conseguido resolver a situação, nem proteger a cabeça e o coração de seu filho.

A sobrecarga, o cansaço, o peso e a solidão das decisões difíceis e dos sentimentos guardados (por não poderem ser falados, e pelo isolamento social) causam novas experiências internas para essa mãe, à medida que o tempo passa. E apesar de não haver conflitos e discussões com o pai sobre o como criar o filho, e que apesar de sentir que a ausência dele é um fato sem solução, ela ainda gostaria de poder contar com ele na criação da criança. Mas como fazer isso, se ela não acredita mais que ele é capaz? E se tudo que consegui (nossa filha é saudável, esta bem na escola, eu fiz um bom trabalho!) retroceder, por um novo abandono, ou por conflitos desse novo momento de contato?

Façam aos Poucos, por Mais Tempo

Sobre a confiança: ela pode ser construída desde que haja interesse genuíno e vontade de fazer diferente! Façam aos poucos, por mais tempo!

Pai, venha.Faça-se presente! Mas cultive o bom contato com o filho e com a mãe. Seja respeitoso, seja honesto, verdadeiro em seus sentimentos e em suas ações. Não prometa que virá, e suma – isso reforça o abandono, revitimiza a sua criança.

Mãe, tente abrir, novamente, o espaço de contato e convivência. Aceite primeiro a ajuda, e procure entender seus sentimentos e medos, para poder administrá-los. Façam isso aos poucos e por mais tempo!

A criança também precisa desenvolver a confiança, perceber-se amada, cuidada e respeitada. Ouçam a criança, vejam seu desejo, não a forcem a ser, ou a estar onde ela não quer. Criem o espaço de convivência, contato e relação da forma que ela quer, e necessita. Novamente, façam isso aos poucos e por mais tempo. Deem-se, então, mais tempo para serem: pai, mãe e filho.

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