Tenho Medo, Sim! E Estou Cuidando De Mim E Dos Meus Filhos

Tenho Medo, Sim! E Estou Cuidando De Mim E Dos Meus Filhos

Há alguns dias vendo casos de violência e pedofilia com crianças, pensei em escrever sobre os medos que as mães sentem de seus filhos serem vítimas dessas situações, fora e dentro de casa. Os pensamentos que surgem e os sentimentos desconfortantes, que eles causam em nós, determinam muitas vezes – principalmente no caso de Mães que são Pães – que algumas decisões (muitas delas podendo ser inclusive radicais) sejam tomadas para proteger os filhos. Sentimos vários medos, e muitos deles precisam ser pensados, para que tomemos precauções concretas, sim. Mas e quando esses medos dificultam o nosso dia a dia, nos fazem perder o sono, prejudicam a vida dos filhos e a nossa? Como podemos lidar com eles?

Alguns Pensamentos Negativos

Algumas dúvidas que surgem com pensamentos negativos:

Deixar a filha (o) ir para a casa do colega, ou não?

Deixar ir para escola sozinha (o), ou não?

Permitir o acesso livre à internet e às suas redes sociais, ou não?

Conviver muito intimamente, sem a mãe, na casa de parentes, ou não?

Eu (Pãe) devo, ou não, namorar alguém, agora?

Eu devo, ou não, permitir a convivência do namorado com os meus filhos?

Eu devo, ou não, ficar vigiando a relação do novo namorado com os filhos?

O Que Fazer com eles?

Nessas situações, em que pensamentos negativos (que podem ser verdadeiros, ou não) nos causam medo, insegurança, paralisia e muito sofrimento, é preciso tomar consciência de qual é o pensamento que está fazendo isso. Entendendo o medo é possível encontrar formas de reduzir a força dele e os riscos de suas possíveis consequências acontecerem de verdade. Enfraquecendo o pensamento e mitigando os riscos reais, você passa a controlar a situação, que antes estava nas mãos do seu medo.

Vamos fazer um exercício, de como seria entender um medo para reduzir sua força sobre nossa vida:

1° momento: Você pensa que seu filho, ao ir sozinho para a escola será sequestrado, e, você não consegue nem imaginar a situação, sente até taquicardia. Bem, escreva qual é o seu medo em uma folha: “O pensamento negativo que vem agora na minha cabeça é que meu filho corre risco de ser sequestrado na ida para a escola”.

2° momento: Em seguida, reflita sobre esse pensamento, deixe-o vir, pense sobre ele, e registre os sentimentos que ele te causa: “sinto medo, angústia, desespero, impotência… sinto que preciso fazer algo para protegê-lo, sempre…”.

3°momento: O próximo passo é pensar em fatos e dados que indiquem que seu medo, apesar de possível, não necessariamente acontecerá. Fatos que demonstrem, contrariamente, que a força das possibilidades ruins não é tão imperativa, assim, e que as probabilidades de acontecer são menores: “A minha filha vai para a escola, com uma amiga. Ela já muda o trajeto diariamente. Ela está atenta e sabe pedir ajuda, pois já está com 15 anos”, ou ainda “A escola fica a tantos metros daqui, no trajeto há a casa da avó e ela está sempre com telefone, além de ser esperta demais para correr”. O importante é encontrar argumentos concretos, que demonstrem para você mesma que o pensamento pode ser real, ou seja, que pode haver risco, mas que há possibilidade dele não ocorrer de forma obrigatória ou automática, e de que o filho ou a filha também possui capacidades que contribuem para sua segurança ou autoproteção.

4° momento: Aceite o seu pensamento como uma possibilidade, mas não como uma fatalidade confirmada, e liste pelo menos três coisas que você possa fazer, hoje, para enfraquecer ainda mais o pensamento negativo, e que também reduzem as probabilidades de o incidente ocorrer.

5° Avalie se os sentimentos, após essas reflexões. Eles estão mais brandos? A pressão interna, pela angústia ou ansiedade, diminuiu? Perceba se a sensação de agora está um pouco mais para tranquilidade e consciência, do que antes.

Caso sim, ótimo, você descobriu um caminho para lidar com aqueles pensamentos negativos, ao mesmo tempo em que age, para criar formas possíveis de proteção, caso considere ser necessário.

Reflexões e Decisões

Outro passo, importante, quando pensamentos negativos travam o caminhar da vida, em algum aspecto, é após refletir sobre eles, sobre os sentimentos que deles veem, é pensar no que não está legal na sua vida ou na de seus filhos, e que está barrado, travado, escondido e quem sabe, já tenha até virado um tabu. Avalie se essa decisão, ou a falta dela traz benefícios ou sofrimento para você e para seus filhos. Caso não esteja legal, faça o mesmo exercício anterior, agora colocando no foco da reflexão as opções que você possa ter. Registre, sinta, pondere com fatos, dados e em perspectivas diferentes daquela negativa que te paralisou ou te fez decidir de uma maneira considerada por você como inadequada.

Reflita por alguns dias, converse com seu filho, converse com alguém de confiança – de preferência alguém que consiga contribuir, sem te julgar. E sentindo-se mais tranquila, à vontade com sua escolha, tome sua decisão, ou a decisão de vocês (você e seus filhos). Experimentem, avaliem os ganhos, as perdas, e se for necessário modifiquem o trajeto. Lembre-se, o risco existe, sempre, mas isso não é o mesmo que probabilidade, que e é menos, ainda, igual à certeza.

Nós não temos controle sobre a vida, mas para vivermos melhor, podemos buscar controlar os nossos pensamentos, com a consciência, identificando aqueles que têm nos prejudicado no dia a dia, e que nos trazem sofrimento (muitas vezes desnecessários) e acabam por reforçar o ciclo do pensar, sentir e do comportar-se.

Experimente, tomar consciência de si, essa é sempre uma boa oportunidade para melhorar coisas no nosso viver.

Mãe Pãe, “Bora” falar Sobre Sentir-se Segura

Mãe Pãe, “Bora” falar Sobre Sentir-se Segura

 

Quando nos tornamos mães gostamos (mais ainda) de nos sentirmos seguras. É comum sentir a necessidade de sermos abraçadas e acolhidas pela família, pelos amigos, no trabalho, e principalmente, pelo pai da criança. Mas muitas de nós não sentem essa segurança quando decidimos sermos mães, e por algum motivo o casamento não vem com a maternidade. Nessa situação de ser mãe, sem se tornar esposa, como buscar a segurança? Como nos fortalecer para nos sentirmos intimamente seguras, e vivenciar bem a gestação e os primeiros anos do filho?

Dicas

Controle os pensamentos sobre o que os outros vão pensar, será que isso é realmente importante? Porque é importante?

Tome consciência de que as escolhas de sua vida são suas, então como você as está fazendo? Pensando em você e seu filho? Nos seus sonhos, ou nos outros?

Conheça a realidade de ser mãe pãe, e veja que é possível! Não se sinta sozinha, não se faça solitária, converse com outras mães para ver como se sentiram, o que viveram, como superaram as dificuldades. Aproveite o que fizer sentido para você, nada tem que ser do jeito do outro, você escolhe o seu jeito, o seu tempo.

Controle o sentimento de culpa. Ele não ajuda em nada! Ele te trava, te enfraquece. Então, sinta, porque vai sentir, mas pense também na perspectiva de que o que ocorreu não estava sob seu controle, ou que foi um aprendizado, ou ainda como diz a minha mãe, as dificuldades nos fortalecem. Não se culpe pelas escolhas erradas dos outro, você não tem o poder de decidir por elas, ou de controlá-lo.

Identifique quais são os seus medos, para poder com consciência desmistificá-los ou criar formas de reduzir os riscos deles se concretizarem. Liste seus medos, um a um, isole cada um deles em uma frase: “Tenho medo de…, porque isso pode provocar aquilo e me sentirei assim…”. Após registrar todos, tente contrapor cada um com fatos que comprovem que o medo não é real, ou não é tão forte assim, ou ainda, que você tem a solução, caso ele resolva acontecer. Essas reflexões enfraquecem os medos, e trazem alívio.

Imagine o futuro que você quer, não pense que ele é impossível ou distante. Isso tira sua atenção e o foco de sua criação, hoje. Registre-o, e liste algumas coisas que você pode começar a fazer para ir em direção a esse sonho.

Então, proponha para si mesma, algumas ações imediatas para começar a construir esse futuro vocês. Por exemplo, para a preocupação com grana: poupar a partir de agora tantos reais por mês, ou ainda, fazer e manter um seguro de vida. Reduzir tais gastos para realizar investimento em mim, ou para poupar.

Ponha alegria no seu dia a dia! Curta a barriga, converse com o baby, acaricie a sua barriga ou o seu filhote. Ria de você mesma! Valorize as suas qualidades e suas conquistas, mesmo que pequenas.

Não se isole do mundo, do seu mundo! Crie o seu mundo, aproxime-se mais de quem é importante para você. Fortaleça os vínculos e a confiança com essas boas companhias, elas provavelmente serão sua rede social de apoio, durante a gravidez e depois que seu filhote nascer e crescer.

Crie momentos para você, ainda que as coisas estejam difíceis, pegando fogo! Não se esqueça de você! Saiba que esse é o erro mais comum que cometemos, nos tornamos excelentes mães, mas abandonamos demais quem somos, e isso traz consequências para a nossa vida e para o nosso dia a dia em curto e médio prazo. “Bora”, investir nos filhos, mas também em nós!

E não se esqueça, busque ajuda profissional sempre que precisar!

Não Sou A Mulher Maravilha!

Não Sou A Mulher Maravilha!

Não Sou Uma Heroína
O caminho entre:
Tornar-se uma Supermãe,
perder-se nessa identidade,  
e Reencontrar-se, como a mulher que se é.
Aquela que sonha, que sente, que quer ser a melhor mãe possível, mas sem ser mais a heroína, que precisa viver em sacrifício. Uma abordagem bem humorada sobre a realidade de muitas mulheres, sobre identidade materna, que trará reflexões sobre a mulher que se quer ser, e que se pode ser.
Outras Informações
Duração: 25 min a 1 hora
Público Alvo: Mães de 1, de 2, de 3…e as Mães Pães!
contato@paisespeciais.com.br
Pedir ou Não a pensão do meu filho – medos, angústias e responsabilidades

Pedir ou Não a pensão do meu filho – medos, angústias e responsabilidades

Quando uma mãe (a grande maioria das pessoas que vive esse conflito é de mães, que criam seus filhos sozinhos, e por esse motivo falarei para elas nesse texto) se vê em sofrimento, ao pensar na necessidade, ou no mínimo, na possibilidade de pedir a pensão do filho para o pai da criança, ela pode começar a entrar em sofrimento. Essa dor é causada por medos consequentes de fantasias conscientes ou não, ou de experiências de medo vividas na relação do ex-casal. Então, além das dificuldades por não contar com ajuda concreta e financeira do pai, tendo que se desdobrar em todos os sentidos para criar e educar os filhos ( o que pode fazê-la cristalizar sua identidade no papel de heroína, aquela que se sente na obrigação de se sacrificar, sempre por alguém, que só existe na realidade do sacrifício e que portanto não pode ser feliz de outra forma), essa mãe vive as dores do conflito – pedir pensão ou não, se torna um problema real no dia a dia das mães, principalmente daquelas que são MãesPães.

Os medos são diversos, mas o mais importante a ser falado aqui, é sobre as possibilidades que surgem na sua vida – Mãe, a partir do momento em que você se aprofunda no sentir de suas fantasias e de seus medos, para encontrar a sua verdade: aquilo que realmente é importante, aquilo que é possível de ser feito, o caminho a ser escolhido por você (nesse momento de sua vida) e os motivos para essa decisão. Essa clareza na sua escolha, contextualizada à sua realidade, te trará alívio da dúvida, da inércia, da angústia e das culpas.

MEDOS

Conversando com Mães, ouço, muito, frases do tipo:

“Sinto medo do pai levar minha filha embora, ela só tem 8 meses…”

“Ele tem uma mãe guerreira! Que não deixar que nada lhe falte! Eu não preciso do pai dele para nada!”

“Ele era um ótimo pai, mas agora tudo vira motivo para não ver as crianças, não cumprir com o valor combinado. E não quero requerer legalmente a pensão para não aumentar os conflitos e prejudicar as crianças”

“Ele nunca quis fazer parte da vida da criança, e quando eu disse que pediria a pensão, ele disse que se isso acontecesse, que iria pedir a guarda compartilhada, sem nunca ter convivido com a filha, sem desejar querer estar com a criança, só para me amedrontar”

“A atual esposa disse que se eu pedisse a pensão, que eles tirariam o meu filho de mim, e que ela faria algo ruim com ele”

 “O pai não liga, não vem nos dias que combina, não cumpre o combinado quanto ao pagamento da pensão… que é um valor ridículo, que não cobre nem as fraldas… mas tenho receio de pedir pensão na justiça e criar um problema maior na relação deles com o pai”

“O pai mora em outro estado, eu disse que entraria com pedido de pensão, e ele disse que tomaria a menina de mim, se eu fizesse isso”.

“Ele me agrediu quando eu disse que estava grávida, me mandou tirar o bebê. Eu quero distância dele, não quero ele perto do meu filho, nem de mim”

“Sofro quando penso no direito de pensão… e na guarda compartilhada, pois tenho medo de ser vítima da alienação parental”

“Tenho medo de pedir pensão, e ele começar a conviver com as crianças, só por raiva. E de maltratá-las, não cuidar direito, ou estar junto um dia e depois sumir por meses. Isso causará muito sofrimento nas crianças”.

Alguns medos são claramente percebidos através da fala, mas ainda assim, eles precisam ser compreendidos e trabalhados para que se chegue a uma conclusão menos ofuscada, quanto ao que você quer ou não fazer, quanto ao que é preciso ou não fazer.

Para trazer argumentos diversos aos medos, a fim de contrapor receios e necessidades, cito o fato de que a pensão é um direito da criança, e como tutores desse direito, deveríamos zelar por ele. Assim como a pensão, o convívio com o pai, também é direito da criança. E nesses dois aspectos há escolhas que estão sob a decisão da mãe e outras, sob a decisão do pai.

OS DIREITOS DA CRIANÇA

O direito da criança começa no de saber quem é seu pai, quem é sua mãe, como eles são, sem que ela seja bombardeada com o drama do ex-casal, com histórias de terror sobre a mãe ou o pai.

Saber o nome, a cor dos olhos, em que ela é parecida com o outro criador, já é um bom começo. Ver uma foto, dizer que ele o pegou no colo por vez, mesmo sem nunca mais ter aparecido. Contar o que sabe sobre sua origem, sua profissão, tudo isso ajuda a criar dentro da criança uma imagem real do pai, ou seja, ele existe! De alguma forma, e isso reduz, um pouco, a dor real do abandono. Quando não se fala nada, cria-se apenas o vazio e o tabu, que são extremamente sofridos para o criador que está com a criança e para o filho.

A criança ainda tem o direito de ter na certidão o nome do pai, isso também torna o vazio do abandono menor, um tanto menor. A criança, sabendo o nome do pai, tendo sua identidade legal preenchida, pode responder a questionamentos como: “você não tem pai!” como “Tenho sim, ele se chama fulano e mora longe”.

Fotos, histórias reais, que sejam boas e saudáveis, também ajudam muito. Caso não haja histórias, conte o que há para contar, desde que não seja doloroso. Se não há isso, diga a verdade: “Não sei sobre seu pai. Mas sei que te amo, que estou aqui, que você tem a mim e aos nossos familiares”. A verdade liberta! E fortalece os vínculos!

Preocupe-se em adequar a sua fala à idade e à capacidade de compreensão, e de processamento da informação, que a criança tem a cada momento da vida, isso é extremamente importante para protegê-la, e para contar-lhe sua própria história de vida.

Em situações de violência contra a criança, ou presenciadas por ela, cabe muito adequadamente, uma orientação profissional do psicólogo, seu ou da criança, sobre como o assunto pode ser tratado, conduzido, afinal as memórias estão ali. O advogado também precisa ser contatado, para sua proteção e da criança.

O DIREITO À CONVIVÊNCIA

Mãe. Está sob sua escolha: contar que existe o pai, manter aberto o espaço para a presença dele, não prejudicar o filho por raiva do pai, agir de forma a desenvolver uma melhor relação com o pai, mas você não pode forçá-lo a conviver, a estar presente e a participar da vida do filho.

Sob a decisão do pai está: buscar criar espaço para o filho na sua vida, buscar participar da vida do filho, não prejudicar o filho por sentir raiva da mãe, desenvolver uma boa relação com a mãe. O pai não pode forçar a mãe a não querer uma condição de vida melhor para o filho, tentando impedi-la de pedir pensão.

Sob a decisão da justiça: quando há riscos à saúde emocional ou física da criança, quer seja junto à mãe ou ao pai, cabe à justiça e seus órgãos (Conselho Tutelar, Ministério Público e o próprio judiciário) a decisão sobre o que deverá ser feito. A questão a se pensar aqui é quanto à realidade dos fatos, e dos riscos à criança. Muitas histórias são criadas para prejudicar um ou outro lado. E se você tem ética, você não fará isso, pois o sofrimento e os danos emocionais principalmente para a criança serão muito grandes. Pense nisso.

Caso haja riscos à integridade física ou emocional da mãe ou do pai, quando há ameaças feitas pelo ex-parceiro, essa também é outra questão a ser tratada pela polícia e pela justiça, havendo necessidade, a princípio, de se avaliar os possíveis riscos, desdobráveis dessa situação para os filhos.

O DIREITO À PENSÃO

Esse direito independe de outras questões, ele existe. Hoje, ele pode ser apenas um sofrimento, mas amanhã ele pode se tornar uma necessidade urgente. Lembre-se, que a justiça é lenta, e se não houve espaço para uma negociação extrajudicial, ela será o único caminho.

Pedir ou não pedir? Tendo clareza dos seus sentimentos você tem mais consciência em sua decisão. Lembre-se de outro risco, de que amanhã seu filho poderá cobrar de você, por não ter defendido seus direitos, por não ter lutado pela participação, que fosse apenas financeira, do pai.

Quando pedir pensão e como fazer isso? Mais sofrimento, agora em relação a questões práticas. Mas essa é uma questão mais fácil, basta consultar um advogado. Não podendo pagar, as faculdades e a própria justiça ajudarão. Então, para saber mais, pensar melhor, mesmo não tendo se decidido, faça isso!

A decisão tomada sem reflexões sobre os seus sentimentos e medos, não te trará alívio. Será como se você varresse toda a sujeira para debaixo do tapete: você para de pensar nela, mas jajá, ela saltará aos olhos. Ou um caminho de calvário, de ansiedade, por agir ou não fazer nada, sem saber o que é realmente importante você poderia sentir o desgaste da dúvida, diariamente, sem poder minimizá-los.

 O alívio real vem através da reflexão sobre o que é importante ou fundamental, sobre qual decisão precisa ser pensada, e qual ação precisa ser analisada, e talvez tomada, de forma separada da fantasia, sem a interferência do medo.

O medo precisa ser racionalizado para que ele perca a força e a influência que tem sobre você, e para que assim você possa conseguir viver o dia a dia com mais segurança interna. O medo precisa ser questionado: ele é mesmo real? Há risco concreto? E se isso ocorrer como conduzir de uma forma melhor? Será que a presença do pai fará realmente mal? Como posso resguardar meu filho nessa e em outra situação?

AUTOAVALIAÇÃO E REFLEXÕES

Uma autorreflexão também precisa ser feita sobre seus pensamentos, falas e comportamentos. Vou explicar melhor. O que eu posso fazer diferente para melhorar a forma como lido com a presença ou ausência paterna? O que posso fazer diferente para tornar o pai presente na consciência do meu filho, ainda que ele nunca apareça? Como posso agir junto ao pai para tentar que as coisas ocorram de uma forma diferente, a partir de mim, já que não tenho controle sobre como o pai vai agir? Verifique, na sua realidade, quais situações podem ser melhoradas.

Esse tipo de reflexão traz novas possibilidades para a sua realidade, por trazer a responsabilidade de mudança, pelo menos parte dela, para você. E isso está sob seu controle e sua escolha, certo? E encontrando novas oportunidades e caminhos, você pode testar soluções e quem sabe, colher novos frutos, evitar agravamento de sofrimentos ou outras novas dores.

Só você sabe avaliar o que é melhor para a sua vida. E só você deve decidir o que fazer, que atitudes tomar ou não. Mas para fazer isso de uma maneira saudável, você precisa se conhecer, precisa ficar cara a cara com seus medos, ter consciência do que é realmente importante para você e para os seus filhos. Você pode enfrentar os seus medos e reduzir os possíveis riscos, escolhendo o que fazer e definindo como fazer, com clareza, com consciência. E procure ajuda, sempre que precisar.

Não Sou a Mulher Maravilha!

Não Sou a Mulher Maravilha!

Sabe o que eu descobri? Que minha identificação com a figura de uma heroína – mulher que dá conta de tudo, que não precisa de ninguém, que não demonstra fraqueza, que tem que parecer estar forte, bem, linda, sexy…blábláblá – isso nada mais era que o meu medo de enfrentar a minha realidade, meus medos, minhas inseguranças.
 
Fugindo do mundo assustador
E esse papel virava um escudo que me protegia do mundo, ao mesmo tempo em que eu ficava de castigo – pelas culpas femininas de não corresponder aos conceitos sociais do que seria ser essa mulher admirável.
 
Eu não tenho que ser o que acho que o outro quer que eu seja, eu preciso querer me encontrar, ter consciência de quem sou e de quem quero ser; botar meu coração lá, aqui, em mim. Afinal de contas, se eu tiver essa coragem, é porque há o meu querer, e o meu coração.
 
Sou Corajosa, Não heroína
Então, ser corajosa não é = a ser heroína, é sim, ser você mesma.Sou mulher, sou MãePãe, Não ando sozinha e inabalável pela face da terra. Sou e quero ser eu, superar minhas dificuldades, criar bem meu filho, lutando inclusive pelos direitos dele, mas sem ser heroína.
 
Estou feliz demais por ter entendido que não estou mais de castigo, vestida de mulher maravilha.
Sou Pãe

Sou Pãe

Meu Pãe e minha Pãeternidade

Tenho vivido dentro da experiência de ser pãe desde que tinha 11 anos de idade, sou filha de pais separados, criada, junto com meus três irmãos mais velhos, por meu pai, meu “Pãe”. E, já adulta, me tornei pãe do Francisco, e venho crescendo, me desenvolvendo como ser humano de uma maneira muito especial, desde então.

 

Acompanhei as dificuldades do meu Pãe, e depois vivi as minhas como pãe do Francisco. Desde a descoberta da gravidez, da decisão de ser mãe, passando pelos enjoos, pela primeira doença respiratória, pelo primeiro dia na escola integral – quando ele tinha quatro meses, até a chegada em uma nova e grande escola, onde ele passou por problemas com buyling. Considero que como mãe solteira, passei pelas dificuldades da Pãeternidade, sem ter a intenção de substituir o pai, nem de ser uma guerreira super-mãe, mas vivi e vivo situações externas e internas diferentes de uma maternidade em uma família tradicional, sem que a ausência do pai tenha ocorrido por minha decisão, ou esteja sobre meu controle. O que eu queria de verdade era que o Francisco tivesse um pai presente e interessado, verdadeiramente.

 

Acredito que fiz duas escolhas certas, a primeira de assumir ser mãe – minha gravidez não foi planejada, e a segunda boa decisão, foi a de não me casar – pois eu realmente não seria feliz. Só que não imaginava que ao escolher não casar, meu filho não teria o pai. Em alguns momentos passa uma fantasia na minha cabeça, de que isso seria consequência da minha escolha, mas depois caio na real e lembro que a escolha não foi minha, e que um pai pode ser pai, mesmo não sendo marido. Tenho exemplo em casa, não é mesmo.

 

Tornei-me uma PÃE, e essa identificação tem me ajudado e ao filhote a crescermos juntos, como diz minha mãe, “Em graça e sabedoria”. Tentei durante os primeiros anos, aproximar o pai e o filho, mas não tive sucesso; então, fazer o que, deixei o pai à vontade em sua decisão de ausência, alertando a ele das perdas de memórias, afeto e amor, e dos riscos já que o pequeno poderia não desenvolver amor e bem querer pelo pai, em função de sua ausência.

Boas memórias sobre um pai ausente

Por outro lado, rezei, pelo meu filho, para que ele não sofresse tanto com essa falta e para que conseguisse processar seus medos, fantasias e angústias por não ter o pai presente. Rezei também por mim, para que eu conseguisse ser uma boa mãe e uma boa pãe – e que eu desse conta de tudo que fosse necessário, urgente, desconhecido, das 24 horas por dia, de dar limite, educação, amor, carinho, boas lembranças, conseguisse pagar tudo sozinha, e principalmente, desse a meu filho memórias boas de um pai ausente. Isso mesmo, boas lembranças de um pai que nunca está, para que ele soubesse que ele existe, e que por motivos não alienantes, o pai não está presente.

 

Consegui ensinar a ele a falar papai, o nome do pai. Mostrei-lhe fotos para que ele visse que o pai existe e “matasse a saudade”. Contei-lhe histórias da sua gestação, de como e quando o pai esteve com ele nos braços, ainda que poucos momentos e por pouco tempo (por 24 horas quando ele nasceu, depois por mais 2 horas quando tinha seis meses e depois com aos 4 anos, por outras 2 horas). Conto aqui o tempo das visitas, para contextualizar a história, mas não digo isso ao pequeno, não entendo que seja necessário, não é mesmo.

Acreditar nas possibilidades é fundamental

E assim venho vivendo a pãeternidade, experimentando sentimentos e soluções para melhor ajudar meu filho a crescer e a se tornar um bom e feliz homem. E a essa vida que vivo, somou-se a minha formação em psicologia, as minhas adaptações às dificuldades profissionais (perda do emprego na crise e após afastamento por doença), aos ajustes da profissão à maternidade (trabalhar,ganhar grana pro sustento e ter um bom tempo para estar com o filhote) e culminou no meu encontro com minha missão de Coach de Pães –  onde busco contribuir com outros pais e mães que como eu, necessitam adaptar-se, encontrar soluções, caminhos e formas de viver sua pãeternidade com mais alegria, qualidade, organização, amor, tempo de qualidade ou até em mais quantidade. Pães que querem não só encontrar o melhor caminho pelos filhos, mas também por si mesmos.

 

Acredito no potencial humano, de: autogestão, de escolha das possibilidades – aquelas que passamos a enxergar na nossa realidade. Confio que sempre existam oportunidades de desenvolvimento pessoal, quando há busca, por uma vida melhor. Creio que há potencial de adaptação interna e externa, mesmo em uma realidade difícil. E realmente acredito que você, pãe, é capaz de achar o seu caminho para ser pai ou mãe, para ser mais feliz, para desengavetar sonhos, para cuidar de você, além de ajudar seu filho a se tornar uma pessoa boa, segura, feliz e que mesmo com cicatrizes, supera suas dificuldades e sofrimentos naturais e aqueles consequentes a uma história de abandono.